Blog do Sôr André

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011


O Coxo de Calanda

0 veredicto pertence à ciêncía

COXO DE CALANDA. 0 jovem Miguel Juan Pellicer, 19 anos, de Calanda, vilarejo da Província de Teruel (Espanha), trabalhava na vizinha cidade Castellón de la Plana. No inicio do mês de agosto de , 1632, conduzia urna carreta puxada por duas mulas, Acidentalmente caiu da sua montaria.

Uma das rodas da pesada carreta carregada com uns 2.500 quilos de trigo, passando por cima da perna direita de Migud Juan, partiu-a no meio. Não só os músculos, senão também a tíbia e fíbula ficaram amassados. Foi imediatamente levado ao Hospital de Castellón. 0 pequeno hospital encontrava grandes dificuldades para continuar adequadamente o tratamento iniciado ao ferido. Então Jaime Blasco, tio e patrão de Miguel Juan Pellicer, fez que fosse transferido para o Hospital Geral de Valencia.

Durante cinco dias permaneceu naquele hospital, mas o tratamento aplicado, também em Valencia, resultou ineficaz. Então, a pedido do próprio Miguel Juan Pellicer, foi autorizada sua remoção a Zaragoza, ao renomado Hospital Real. 0 que na realidade interessava ao paciente era a Basílica da Padroeira da cidade e de toda Espanha, a Virgem do Pilar, pela qual tinha urna profunda devoção desde a infancia. Miguel Juan Pellicer ingressou no Hospital Real de Zaragoza nos primeiros dias de outubro.

A natureza do ferimento, o deficiente tratamento dos primeiros dias, e as penosas remoções a um e a outros hospitais, já tinham ocasionado terrível gangrena. 0 Chefe de Cirurgia no Hospital Real era o Dr. Juan de Estanga, de renome nacional como hábil cirurgião e titular da cátedra de cirurgia na Universidade de Zaragoza. Em fins de outubro, o próprio Dr. Estanga, auxiliado pelo cirurgião Dr. Diego Millaruelo, procedeu à amputação da perna direita de Miguel Juan Pellicer. "Foi cortada quatro dedos abaixo da rótula." 0 residente Dr. Juan Lorenzo García, aspirante a cirurgião que ajudara também, com outros aspirantes e enfermeiros, na amputação, quis encarregar-se pessoalmente e junto com um enfermeiro enterrou a perna amputada no cemitério do hospital.

0 cirurgião Dr. Juan de Estanga atendeu o jovem coxo antes de dá-la de baixa e continuou depois atendendo-o durante os dois anos e meio que o mutilado permaneceu em Zaragoza, sempre que voltava ao hospital para os curativos. 0 próprio cirurgião testemunhou, também ele, de teve que repreender severamente a Miguel Juan pela imprudente devoção e teimosia no perigosíssimo "curativo" que se aplicava: todos os dias, na Basílica de Nossa Senhora do Pilar, guando abaixavam as lampadas para o reabastecimento de óleo, Miguel Juan Pellicer soltava a perna de pau e, na sua simplicidade mas admirável amor e confiança filial na proteção da Mãe Celestial, untava a chaga com o óleo que restara em alguma das lâmpadas.

0 médico lhe advertia que, além da possível infecção, o óleo mantinha uma umidade que retardava a completa cicatrização da ferida. Durante toda sua estadia em Zaragoza, Miguel Juan Pellicer passava o dia pedindo esmola na porta da Basílica do Pilar. À noite ia dormir no "Mesón de las Tablas" quando tinha dinheiro para pagar ao proprietário; se não, dormia num banco do hospital. Em marco de 1640, Miguel Juan Pellicer, esgotado pela vida miserável que levava, decidiu voltar a Calanda apesur do seu desejo de ficar junto à Basílica de "La Virgen del Pilar."

Todos em Calanda e nas vilas limítrofes por onde Miguel Juan Pellicer, montado num jumento, ia pedindo esmola, conheciam o jovem sem a perna direita. Dois anos e quase cinco meses após a amputação da perna direita. Precisamente no dia do 16 centenario da visão que teve de Nossa Senhora, ainda viva, o Apóstolo Santiago e do aparecimento do Pilar na quinta feira 29 de marco de 1640. Ao redor das dez horas da noite, Miguel Juan Pellicer abandonou a conversa e , foi deitar, pois se encontrava especialmente cansado.

Pouco depois, Da. Maria Blasco, a mãe, foi ver se o filho mutilado estava bem coberto. Deu um grito de estupor Acudiu o pai. Por baixo das cobertas apareciam dois pés! Após os primeiros instantes de surpresa, levantou as cobertas: aí estava de novo, inteira e sadia, a perna direita, da qual até momentos antes Ihe faltava a metade. Miguel Juan só sabia explicar que se havia encomendado, como todas as noites, à Virgem do Pilar, e que sonhara que estava na Basílica untando a ,ferida uma vez mais com o óleo das lâmpadas. Nessa mesma noite acudiram a ver o incrível milagre o soldado Bartolomé Ximeno, e os vizinhos Miguel Barraxina e esposa Úrsula Means.

Os três minutos antes, estiveram conversando com o coxo e vendo como tirara a perna de madeira e os panos antes de retirar-se a dormir. Naquela mesma noite foi chamado e veio o pároco Pe. José Herrera. No dia seguinte de manhã a Igreja estava cheia de pessoas que viram e agradeceram a Deus a recuperação da perna direita de quem todos conheciam privado dela até a véspera. Reconhecimentos posteriores mostraram que a perna direita, milagrosamente recuperada, conservou sempre cicatrizes perfeitamente fechadas das feridas que tivera antes de ser amputada, principalmente a da grande ferida provocada pela carreta e que ocasionara a gangrena. Havia também a cicatriz, perfeitamente fechada como todas as outras, onde se havia feito a amputação. Tratava-se da mesma perna que havia sido amputada!

A mesma perna que havia sido enterrada quase três anos antes! Ficara "a marca"!, a conhecida condescendencia divina para urna insuperável observação científica.. . Quando a noticia do milagre chegou a Zaragoza, mandou-se verificar no Cemitério do Hospital Real.

Sob a direção do Dr. Juan Lorenzo García comprovou-se que a perna, ou os ossos que deveriam ficar dela, havia desaparecido, sem que ninguém antes tivesse mexido na terra! A recuperação de Miguel Juan Pellicer, como em todo milagre, foi instantânea... e também "por etapas" (a delicada e conhecida condescendencia de Deus para melhor observação e acompanhamento científicos, e talvez também purificação, exercício da fé...):

A perna direita, durante os três primeiros dias após a recuperação instantânea, estava fria. Sua cor era apagada, algo roxa. E os dedos do pé estavam permanentemente curvados, os nervos contraídos, de forma que durante estes três dias Miguel Juan Pellicer, perante todas as autoridades e numeroso povo que o visitava, não podia apoiar a perna firmemente no chão, nem podia prescindir da muleta que usava.

Passados esses três dias, as mesmas autoridades e o povo puderam constatar que Miguel Juan Pellicer agora caminhava perfeitamente, o pé ficara normal. Mas faltava ainda outra etapa? Ou era outra marca?: A largura ou espessura da perna direita, a recuperada, era claramente menor que a grossura da perna esquerda.. . Miguel Juan Pellicer, a 25 de abril, viajou com seus pais a Zaragoza para agradecer à Virgem do Pilar.

Durante o trajeto, um cirurgião lancetou o talão nas suas pesquisas, fato que obrigou Miguel Juan Pellicer a mancar um pouco novamente. Mas logo passou. Miguel Juan quis permanecer em Zaragoza por algum tempo. Ia com freqüência à Basílica do Pilar, onde confessava e comungava cada sete dias, e comprazia-se em continuar ungindo sua perna direita, mais débil, com o óleo das lâmpadas. "Pouco a pouco a perna direita ficou igual à esquerda (. . .). Quando voltou a Calanda, os vizinhos maravilharam-se de vê-lo caminhar e correr alegremente. Como deram testemunho (. . .). Notaram também que o jovem podia realizar movimentos de esticamento até levantar o pé à altura da cabeça. Assim completara-se o milagre até a perfeição total"(48). *** Creio interessante citar inclusive a referencia negativa que fez David Hume: "0 único (?!) que fala disso é o Cardeal De Retz4". Ele conta que passando por Zaragoza, quando da sua fuga a Espanha, lhe foi mostrado na catedral um homem, o qual havia servido lá como porteiro durante sete anos e era conhecido de quantos viviam na cidade. Costumava fazer suas devoções na referida igreja.

Por todo este tempo ele havia sido visto primeiro sem urna perna, depois a havia readquirido fazen-do com o óleo bento fricções no toco. 0 Cardeal assegura que ele o viu c o m ambas as pernas. Este milagre foi atestado por todos os cônegos da Catedral. Para investigar o fato foi chamada toda a sociedade da cidade, e o Cardeal afirma que todos acreditavam inteiramente no milagre"(50). - Oh!, Hume, além das tergiversações na vesânia de negar a realidade palmária dos milagres, agora recorres inclusive a deslavada mentira? "0 único que fala disso"? Na realidade o próprio depoimento de Hume cita que multidão de pessoas testemunharam o fato.. . Citei Hume como mais uma confirmação da realidade histórica, apesar da mentira com que começa o tabelião real, Dr. Miguel Andreu, levantou ata notarial com abundantes testemunhos só quatro dias após o milagre no conhecido coxo. A Prefeitura de Zaragoza, a 8 de maio de 1640, reuniu-se em conselho extraordinário e plenário, e nomeou três procuradores para pesquisar o caso, além de solicitar do Sr Arcebispo que instaurasse um acurado processo canônico, a expensas da Prefeitura Conservam-se todas as atas de ambos os inquéritos.

0 inquérito da Prefeitura começou só dois meses depois do milagre. 0 canônico, só após três meses. Bem contemporâneos dos fatos. Inquéritos detalhadíssimos. Muitas comprovações. Depoimentos de multidão de pessoas que conheceram e conviveram com Miguel Juan Pellicer, antes e depois do acidente, antes e depois da amputação. Vi um grande tapete que há no Palácio Real de Madri, representa o Rei Felipe IV beijando a perna regenerada de Miguel Juan Pellicer. Lord Hopton, embaixador da Inglaterra na Espanha, certificou independentemente que esteve presente quando El-Rei se ajoelhou, descobriu a perna recuperada e beijou a cicatriz da amputação.

Foram realizadas recentemente novas pesquisas históricas a respeito, com levantamento abundante e irrefutável de documentos(51). 0 milagre com "0 coxo de Calanda" foi em 1640. Somente em 1959 se realizou com sucesso a primeira operação de recolocar uma perna cortada. Os cirurgióes do Hospital Mont-Eden, de Hayward (Califómia - USA), conseguiram recolocar uma perna, mas imediatamente ao acidente (não três anos depois), sadia (não gangrenada) e que ficara ainda unida ao corpo por consideráveis partes de carne (não uma perna enterrada!). E o maravilhoso êxito da cirurgia humana precisou meses de cuidados médicos antes de o paciente ser dado de alta.

Extraído do Livro "Os Milagres e a Ciência" de Oscar G. Quevedo S.J. - Edições Loyola -pags. 268 a 273

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Diárias em Arroio do Sal

Diárias
Quem esteve na Câmara de vereadores de Arroio do Sal no último dia 25, ou ouviu a transmissão da sessão pela Rádio Tupancy, acompanhou a polêmica em torno das diárias.
Uma reportagem da Zero Hora trouxe uma lista de todos os municípios do Estado e os respectivos gastos de suas câmaras de vereadores. E chamou a atenção o gasto de Arroio do Sal: R$54.704,00, ultrapassando Porto Alegre, Caxias do Sul e outros municípios muito maiores.
Trabalhei o assunto na aula de sociologia, na Escola José de Quadros (Arroio do Sal), e os mesmos motivaram-se a elaborar um abaixo-assinado, pedindo uma prestação de contas das diárias e o devido retorno ao município.
Deixei claro que não sou contra as diárias, pois as mesmas são justas quando o vereador ou funcionário representa o município ou o interesse público e tem despesas extras. Mas será que as diárias tiradas em 2010 foram todas legítimas? Podem ter sido legais, mas como diz o velho ditado, “nem tudo que é legal é moral!”
Em dois dias, o abaixo-assinado foi preenchido com mais de 200 assinaturas e encaminhado à Câmara pelos próprios alunos, com o apoio de muitos pais. Na segunda-feira (24) foi entregue e na terça-feira foi o assunto dominante da sessão.
Todo espaço que favorece o debate é democrático e sadio para a sociedade. Mas não pode haver debate quando uma das partes não pode se manifestar. E este foi meu caso, no plenário da câmara, ao ouvir algumas acusações. Conforme o vereador Cridão, muitos pais e alunos estariam descontentes com meu trabalho em sala de aula, que eu estaria só fazendo política... O vereador Maneca (PMDB) deu a entender que eu teria razões eleitoreiras.
No dia seguinte à sessão, fui ao estúdio da Rádio Tupancy e expus minhas razões para incentivar o abaixo-assinado, assim como as razões de fazê-lo durante uma aula. Desafiei o vereador Deoclides (Cridão), do DEM, a ligar para debatermos, mas o mesmo não ligou. Alguns pais de alunos, pelo contrário, ligaram e deram apoio total ao trabalho que venho desenvolvendo. Convém ressaltar as atitudes do vereador Osmarzinho (PP), que entregou uma prestação de contas ainda antes do abaixo-assinado chegar à Câmara, por saber através de sua filha que é minha aluna, e a atitude do vereador Jucilei (PDT), que defendeu a atitude dos alunos e ressaltou o aspecto político da educação. Ressalto ainda que ao final da sessão, o presidente da casa, vereador Carlos Dias (PTB) entregou-me um relatório das diárias dos vereadores e funcionários.
Mas quero deixar claro que se hoje fosse chamado a concorrer a qualquer cargo, minha resposta seria não, e de forma radical. Sei que muitas pessoas vêem meu trabalho com os jovens na Igreja Católica como uma forma de projetar meu nome, mas meu voluntariado na Igreja me acompanha já a muitos anos, antes mesmo de vir a Arroio do Sal.
Quanto ás aulas, as disciplinas de sociologia e filosofia haviam sido proibidas na ditadura militar por terem sido consideradas subversivas... Aliás, tudo o que levava as pessoas à reflexão e a atitudes críticas era subversivo. Infelizmente, algumas pessoas ainda não entenderam que a ditadura terminou e mais do que nunca precisamos de jovens e líderes que atuem na política de forma ética, transparente e humana. E como educador jamais deixarei de levar reflexões neste sentido à sala de aula.
Quem entende isso como “puxar para o lado do PT” está prestando um reconhecimento involuntário ao partido citado. Mas mais que a defesa de qualquer partido, faço a defesa de projetos, e acima de tudo, dos direitos humanos, da ética e da transparência na gestão pública.

André Rech

Professor de Filosofia e Sociologia

quinta-feira, 22 de setembro de 2011


Minha infância...

Duvido quem não sinta saudade de sua infância, de sua forma pura e diferente de ver o mundo e as pessoas. A infância parece-nos ser sempre a melhor fase de nossa vida, afinal não podemos compará-la a nenhuma outra fase: é a primeira.

Muitas vezes pensamos que o mundo em que vivíamos quando crianças era radicalmente diferente do mundo em que vivemos hoje. Com certeza era diferente, mas nem tanto. Nós sim éramos radicalmente diferentes. Diferentes na forma de pensar, de falar, de acreditar, de imaginar, enfim, de viver.

Os adultos, a escola, os amigos, os brinquedos, os professores, nossa cidade, tudo parecia diferente. Tudo geralmente parecia melhor. É comum escutarmos frases como: no meu tempo era mais divertido, era mais gostoso, tinha mais graça...

Mas o que mudou não foi tanto o mundo exterior. A verdadeira mudança processou-se interiormente: nós mudamos. Nós perdemos a pureza, a ingenuidade, o sentimentalismo que tínhamos antes.

Concordo que hoje há uma erotização precoce de nossas crianças, assim como excessos de cursinhos e atividades (inglês, natação, dança, informática), que tiram da criança um tempo que lhe é sagrado para brincar. Mas as crianças de hoje ainda são crianças. E assim como nós quando éramos crianças, elas precisam ser vistas e tratadas como crianças.

Gosto muito de crianças, mas minha experiência com educação de crianças não foi muito positiva para mim. Identifico-me mais com jovens e adolescentes. É uma questão pessoal, não discuto que tipo de idade seja melhor para trabalhar. Mas admiro demais professoras (digo professoras porque as mulheres são maioria esmagadora na educação infantil) que educam crianças. É um dom. Exige paciência, muita dedicação e compreensão, grandes doses de carinho e afetividade.

Experiências na infância são muito mais marcantes que em qualquer outra fase da vida. Educar crianças é uma grande responsabilidade, tanto dos pais quanto dos educadores. A educação recebida nos primeiros anos de vida é decisiva na formação do caráter e da personalidade de uma pessoa.

Nem sempre as crianças receberam a merecida atenção que recebem hoje. Na grande maioria das sociedades e culturas antigas eram vistas como simples seres em formação. As gravuras da Idade Média mostram as crianças como adultos em miniatura, que diferem apenas no tamanho.

Na cultura judaica eram discriminadas e desvalorizadas. Jesus rompe paradigmas ao pedir que os apóstolos permitam que as crianças aproximem-se dele. E vai mais longe: afirma que quem não tiver coração de criança não entrará no Reino dos Céus.

Ser criança não significa ser infantil ou irresponsável. Nem mesmo ser ingênuo. Mas são muitas as lições que podemos aprender com as crianças. Elas costumam ser sinceras no que dizem e na demonstração de seus sentimentos. São carinhosas e afetuosas com todas as pessoas. Não carregam preconceitos. Acreditam no que as pessoas dizem, pois assim como não tem más intenções também não conseguem enxergar más intenções nas pessoas com quem se relacionam.

Uma casa com crianças é mais viva, mais alegre, mais agitada. Incomodam quando estão em casa, mas fazem muita falta quando não estão. São a alegria das famílias.

Não gosto de pessoas que não gostam de crianças. Talvez por não terem tido uma infância feliz, não aceitam que as crianças de hoje possam ter. Não gostar de crianças talvez seja não gostar da pureza e sinceridade que elas representam.

E se existem crianças que podem ser classificadas como más, vejo como únicos culpados aqueles que não as ensinaram a serem boas: seus pais.

André Rech ( F. 81714119 )

Professor de Filosofia e Sociologia

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pais e Escola: uma parceria necessária!




Pais e Escola: uma parceria necessária!

No último dia 11 de abril, houve uma reunião com os pais dos alunos de uma escola de nosso município. Compareceram em torno de 170 pais... Incrível! Acho que batemos um recorde de presença de pais em uma reunião...

Mas afinal a que se deve esta presença maciça? De uma hora para outra os pais conscientizaram-se sobre a importância da educação de seus filhos? E resolveram participar juntamente com a escola desta educação?

Infelizmente não! Foi preciso que uma sucessão de tragédias, no Brasil e em Arroio do Sal, acontecesse para que os pais acordassem e enxergassem a triste realidade que está se desenhando. Primeiro, a denúncia posteriormente comprovada de que um aluno havia levado uma arma para a escola em nossa cidade. Depois o episódio do Rio de Janeiro, que terminou com mais de uma dezena de mortes de estudantes. Para completar, uma professora é presa sob a acusação de tráfico de drogas. E então descobre-se que há uma gangue de alunos infiltrados em mais de uma escola que promove depredações, furtos, e festinhas regadas a sexo e bebidas alcoólicas em plena tarde...

Qual a distância entre um aluno levar uma arma à escola e o mesmo aluno fazer uso dela? Penso que seja muito pequena. E qual a distância entre o mundo das drogas e o mundo da criminalidade? Nenhuma! O uso de drogas já é um crime em si mesmo!

Não tenho por objetivo neste artigo procurar culpados para todos estes fatos, mas algumas reflexões precisam ser levantadas. Se os pais participassem mais da vida de seus filhos na escola e conhecessem melhor os amigos de seus filhos, muitas situações desagradáveis seriam evitadas. Muitos pais, não todos é claro, reagem com indignação quando convocados a comparecerem a escola. Afirmam ter compromissos, trabalhar e não dispor de tempo para isso. Alguns têm a petulância de perguntar: é alguma coisa importante? Aí digo que depende: se o filho é importante, então é algo muito importante. Mas se o filho não tem importância, reveja seus conceitos. Imagino a cena de um pai ser convocado à escola para ouvir elogios sobre seu filho... O que muitos diriam? Talvez: “me chamaram aqui só pra isso, não era nada de grave, acham que eu tenho todo o tempo do mundo”...

Talvez esqueçam estes pais que a segunda casa de seus filhos é a escola. Geralmente é o lugar depois da casa onde passam a maior parte de seu tempo e onde recebem a maior influência na formação de sua personalidade.

Alguns ainda talvez pensam que seus filhos não apresentam problema algum e por isso não devem ser incomodados com reuniões e encontros... Lembro que por melhor que seja seu filho, ele convive na escola e na rua com amigos e colegas que não têm a mesma educação que ele. E a preocupação com a educação de nossos jovens e adolescentes deve ser coletiva, visto que vivemos em uma coletividade e as ações que parecem individuais acabam afetando o todo da sociedade. Mesmo que seu filho não use drogas e você o tenha educado de forma firme em relação a elas, ele irá conviver com quem usa e receberá ofertas. Também poderá ser vítima da violência por parte de usuários ou mesmo não usuários que não tenham recebido a mesma educação que ele. Também mesmo não sendo seu filho um mau aluno, sua aprendizagem será prejudicada pelos “mal educados”... Sem falar da necessidade de conhecer os professores de seu filho e a escola onde ele estuda, dada a importância da mesma em suas vidas.

Sendo assim, não é necessário dizer que vocês pais devem preocupar-se não apenas com a educação dos próprios filhos, mas de todas as crianças, adolescentes e jovens de nosso município. Se fecharmos os olhos hoje aos pequenos crimes, amanhã seremos as vítimas dos grandes crimes.

Participe da vida de seu filho na escola, conheça os amigos de seu filho, saiba com quem ele anda e por onde ele anda, pergunte o que ele sabe sobre usuários de drogas em sua escola e denuncie mesmo que de forma anônima... Acima de tudo, converse com seu filho e, como diz uma campanha, abrace-o antes que um traficante o abrace!

André Rech

Professor de Filosofia, Sociologia, História e Ensino Religioso

Coordenador Pedagógico da SMEC – Arroio do Sal/RS

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Fraternidade e a vida no planeta


Campanha da Fraternidade 2011

Todos os anos, no período da quaresma, a igreja propõe um tema para reflexão através da Campanha da Fraternidade. A quaresma, período que se inicia com a quarta-feira de cinzas e encerra com o domingo de ramos, é um tempo propício para a reflexão e o exame de consciência, para o “balanço” de nossas vidas e nossas relações com os semelhantes e com o mundo que habitamos.

O tema proposto neste ano é de extrema importância: “Fraternidade e a vida no planeta”. O lema é uma expressão bíblica tirada da carta de Paulo à comunidade cristã que iniciava-se em Roma: “A criação geme em dores de parto”, Rm 8,22.

A ação humana no mundo tem sido altamente prejudicial ao meio ambiente e à vida que dele depende. A grande emissão de gases de efeito estufa em nossa atmosfera, principalmente a partir de 1750 com a Revolução Industrial, tem aumentado a temperatura média do planeta e causado o que chamamos de aquecimento global.

Diferente do efeito estufa, necessário para a vida no planeta e causado por fenômenos naturais, o aquecimento global é fruto da ação humana. Se as emissões de gases na atmosfera continuarem no mesmo ritmo, a previsão é de que a temperatura média da superfície aumente em 4 graus até 2050, levando ao derretimento das geleiras e ao aumento do nível do mar. Com a subida do nível do mar, diversas áreas habitadas serão inundadas, o que levará à migração de mais de 700 milhões de pessoas e causará diversos outros problemas.

A verdadeira situação do planeta continua sendo ocultada. Al Gore, candidato derrotado à Casa Branca em 2005 e autor do documentário “Uma verdade inconveniente” foi acusado de ambientalista louco e manipulador de emoções. Mas seu documentário aborda a questão de forma objetiva e científica, sem manipulação de dados. Estranhei que muitos alunos ainda não o tivessem assistido e procuramos proporcionar um espaço para isto na escola.

A verdade é que a atual geração está condenada a sofrer as consequências do pior aquecimento da história da humanidade, como as chuvas de maior intensidade, enchentes, estiagens prolongadas, tempestades, furacões, etc...

Não merecem crédito aqueles que dizem que tudo isso são sinais do apocalipse, do fim do mundo, ou castigos de Deus. O que parece extraordinário é nada mais que um conjunto de consequências de um mau uso de nossos recursos naturais e de um abuso no processo de industrialização e crescimento econômico, que não leva em conta a sustentabilidade do planeta.

Infelizmente, a maioria de nossos grandes empresários só se dará conta do mal que estão causando quando descobrirem que não se pode comer dinheiro. O sistema capitalista incutiu em nossas mentes que a busca pelo lucro e enriquecimento justifica todo o tipo de ações que banalizam o meio ambiente e o próprio ser humano, tornando-os meras mercadorias.

A Igreja cumpre seu papel de continuadora da missão de Jesus Cristo entre nós, alertando-nos para com os cuidados que devemos ter em relação ao nosso planeta, nossa casa. O mundo é presente de Deus à espécie humana e o homem a mais bela criação, imagem e semelhança do Criador. Mas esquecemos tanto da importância da criação quanto da nossa condição de filhos de Deus...

André Rech

Professor de Filosofia, Sociologia e História

Coordenador Pedagógico da Smec - Arroio do Sal/RS